Chegamos em Japurá em 1968, Meu
pai Dorival Benassi, minha mãe Dirce Maria Betão Benassi e minhas irmãs Silvana
e Salete, eu Vlamir com 4 anos, vindos de Alto Paraná. Uma das
primeiras coisas que me lembro foi de termos ficado encalhados logo que
cruzamos a Balsa do rio Ivaí, na subida da estrada perto da Cerâmica do
Vasques, tinha chovido muito e estava muito liso, ao tentar subir
deslizamos para o lado da estrada e ali ficamos, naquele local ainda a mata não havia
sido derrubada para o plantio de café, até que conseguimos ajuda para desatolar
e seguirmos viagem até Japurá. Já na cidade lembro-me das ruas de
terra, a praça com uma rodoviária no centro e locais cercados onde ficaram os
cavalos, quando as pessoas vinham da área rural para fazerem compras na cidade.
A primeira casa em que moramos, pertencia ao Sr. José Brizzi,
ficava na Rua Jaracatiá, não tinha energia elétrica e a água ainda
era retirada de um poço, em frente tinha a casa do Sr. José e o resto era
tudo café. Meu pai, Dorival, veio para tomar conta de
uma “venda” de secos e molhados, que ficava na avenida, cujo prédio também
pertencia ao Sr José Brizzi. Depois de um tempo mudamos para outra casa
mais perto da “venda”, na esquina da Rua Jaracatiá com a Rua
Palmital, onde hoje mora a Geni De Rocco, não naquela casa mas em uma nova
construída por ela, neste local minhas lembranças são mais claras, era
uma casa de madeira com um grande quintal, em frente tinha um grande
terreno vazio onde algumas vezes vinham circos e rodeios. Também neste
local era onde tínhamos um campinho onde jogávamos bola e soltávamos
papagaio, que fazíamos de revistas ou jornais e colávamos com café de bugre que
pegávamos em um pé que tinha neste terreno. Logo me “enturmei” com os
filhos do seu Higino que era dono do Hotel que ficava ali perto, na
avenida, Zé Luiz e Tó, foram tempos de muitas brincadeiras,
estripulias e aventuras. O Sr Higino tinha uma Rural e andava por muitas
cidades vizinhas, ele ia aos sítios comprar rapaduras e outros produtos e
vendia nas feiras das cidades e nós embarcávamos juntos, minha mão ficava
furiosa pois muitas vezes saíamos sem avisar onde íamos. Uma de minhas
lembranças com o seu Higino foi quando fomos a uma reserva de eucalipto perto
eu uma cerâmica, para buscarmos hastes,
que seriam usadas para ajudar na construção da nova Igreja matriz de Japurá,
pois foi ele que ficou encarregado de construir o telhado da mesma. Quando ela estava coberta e sendo forrada,
ele nos levou para dar uma olhado como tinha ficado a estrutura por dentro do
forro, uma coisa que ficou marcada em minha mente. Mudamos novamente,
agora para os fundos da “venda” que
agora era do meu pai, ele havia comprado o negócio, lá tínhamos energia
elétrica e a água vinha de um poço que tinha uma bomba com corda de sizal e
motor que tirava a água e jogava em uma caixa. Ali nasceu meu irmão Valdecir.
Nesta época as ruas de Japurá ainda eram de terra, algum tempo
depois começou ser escavada as rua para a colocação da tubulação de água, era
uma festa para a molecada, aquelas valas enormes e as montanhas de terra.
Logo em seguida começou a asfaltarem a avenida, pensa numa
curiosidade vendo aquele caminhão de piche pintando tudo de preto com o
motor fazendo um barulhão, de onde saia o piche com uma labareda de
fogo para mante-lo líquido, era uma novidade do outro mundo.
Lembro-me que na época do asfaltamento da avenida teve alguns dias de chuva,
pensa o lamaçal que virou aquilo, para atravessar do outro lado da rua
eram improvisadas passarela com tábuas, pois a coisa era
terrível. A construção da Caixa D’água foi um grande acontecimento para a
cidade, lembro-me de ter subido lá em cima com meu pai, em um elevador usado na
construção, que nos finais de semana era utilizado como atração para vermos ao
longe da cidade. Quando da inauguração da praça ao redor da Caixa
D’água teve uma grande festa, todas as famílias saiam aos sábados e
domingos para se encontrarem na praça, e deste dia guardo até hoje
uma recordação, um tombo no qual quebrei os cantos dos dentes da
frente, carreguei aquela janelinha por muito tempo, até que a Drª. Matiko
arrumou. A entrada na escola primária foi uma nova etapa na vida, a
Escola Marechal Candido Rondon, era assim que se chamava na época, marcou
o encontro com muitos amigos, os quais muitos tenho até hoje, com pátio
grande e arborizado, muitos bancos de madeira sobre as árvores, era ali que
comiamos a merenda, muitas vezes trazidas de casa, umas poucas vezes uma sopa
de macarrão com batata que nos era servido e também brincávamos e fazíamos
educação física, lembro-me de minha primeira professora Oreni Palhari, tive
muitas, mas poucas me marcaram. No fundo da escola, no pátio tinha uma plantação de café, era neste
local que fazíamos a festa, todos os dias brincando de “salva” e bola ( de
meia) imagina a cor da roupa, guarda-pó branco e calção, que
chegávamos em casa, mais bronca da mãe. Foram anos inesquecíveis, foi lá
que conheci outra professora, que aprendi a admirar como professora
e com o passar dos anos como amiga e que por arte do destino
muito mais tarde passou a ser minha colega na escola em que hoje
trabalho, Professora Maria de Rocco. Nesta época nosso pensamento
era: escola, bola, estilingue, quantos sítios ao redor da cidade percorremos,
quantos pés de mamão, laranja, mexerica atacamos e quantas melancias
“roubamos”, sim, foi uma época realmente inesquecível. Enquanto
isso a cidade ia crescendo, com suas máquinas de café na época a todo
vapor, em tempo de colheita, filas de caminhões se formavam para
carregar o produto para os grandes centros. A cidade foi tendo mais e mais ruas
asfaltadas, as datas centrais vazias foram se enchendo de construções. O
nosso estádio de futebol com suas cercas de madeira foram substituídas por
pranchas de concreto, sua arquibancada de madeira deu lugar a uma de
cimento, muito bonita, mas que acabou desabando uma parte, a cerca de balaustra
que fazia as vezes de alambrado deu lugar a um de tela e o vestiário, deu lugar
a um de alvenaria e com direito a um túnel que levava ao gramado, um
luxo. A construção da torre da Telepar foi por algum tempo um ponto
muito visitado, pois todos queriam saber como iria ficar aquilo, na época
eram poucos telefones na cidade- valiam quase o preço de um carro- e agora com
a central poderia se ter mais linhas e mais telefones. A entrada para o
ginásio foi outra etapa de minha vida, o ginásio tinha sido inaugurado a poucos
anos, quase novo, ainda não tinha quadra de esporte e era todo de terra na sua
frente. Ali também conheci muitos professores que com o
passar do tempo se tornaram meus amigos, alguns deles: Professores,
Fabiano, Madalena Garanhão, Guilherme,
Mario, Dota, Luzia Molinare, Mercedes e muitos outros. Neste
período entrei para o time infantil de Japurá, onde conheci muitos amigos, João
Gazolina, Nelsinho, Veia, Zé Branco, Gilmar, Polaco, Aroldo, Jora, Cabelinho,
Nilson, Paulinho, Vagner e tantos outros, nosso treinador “Rosa” sempre
nos incentivando e as vezes nos dando broncas( muitas vezes justas), nossas
viagens com o time para as cidades vizinhas eram muito divertidas, muitas
viagem de “Swat”, eita frio que já passamos naquele caminhãozinho, mas
era a nossa alegria, muitas vezes acompanhando o time principal da cidade e
fazendo os jogos preliminares . A cidade nesta época já começava a ganhar suas
vilas, chegou a tão esperada rodovia asfaltada, porque
para ir para São Tomé ou Cianorte era terrível, no tempo de
chuva eram muito difícil e na seca estrada cheia de buracos e um areião.
Também nesta época foi inaugurado o Japurá Country Club, nossa
quanto banho de piscina. Veio a grande geada de 1975, queimando todos os
cafezais da região, me lembro de uma passagem, que no dia seguinte a geada
fomos a Venda do Moisés que ficava na área rural e era tocado pelo meu tio
Alécio, local que sempre ia para cassar passarinhos e naquele dia vi todos os
pés de cafés com suas folhas “queimadas”, uma visão desoladora, que iria mudar
os rumos da agricultura da nossa cidade. Quando entrei para o Colégio Rui
Barbosa a coisa foi ficando mais séria, com 15 anos já ajudava no comércio e
estudava de noite, acabou-se minha fase no juvenil de Japurá. No Colégio conheci
muitos colegas- Vagetti, Almir, Derla, Topã, Ditão, professores inesquecíveis: Stafuzza,
Pacifico, Fávaro, Ademir, Teruak, Paltanim e muitos outros que até hoje
mantenho contato. A cidade neste período já tinha mudado muito, já havia vários
jardins ao redor e a agricultura estava mudando radicalmente do café para a
terra mecanizada ( soja, milho), as primeiras colhedeiras Ideal já apareciam na
cidade para fazer a colheita da soja. Já adolescente foi época de começar a
frequentar bailes e festas, nossa quantos bailões de casamento nos sítios, baile
no Salão Paroquial, e algumas saídas para as cidades vizinhas. No Colégio o
último ano foi muito movimentado, pois para irmos para a praia na formatura
tivemos que fazer muitas promoções e bailes, a coisa era feia, quantas
carteiras e cadeiras carregamos em caminhões para levar no Ginásio de Esportes
para os bailes e no domingo carregávamos tudo de volta para a escola. Mas
valeu a pena, final de ano, Balneário Camboriú, duas semanas de
festa. Terminado o Colégio foi a fase da vida em que fazíamos muitas
festas, muitas noitadas na Boemia com o som do violão do Edinho e das canções
do Prof. Pacífico, muitas vezes no reservado do Ponto Chic, uma fase muito
agitada com muitos bailes no Ginásio de Esportes, participação de campeonatos
de futebol de salão, enfim, uma época inesquecível. Depois de alguns anos
namorando, em 1990 me casei com a Sueli, filha do seu Maurício e dona Jacira,
que trabalhavam no ginásio. Depois de casado voltei morar no
fundo do prédio onde tínhamos o comércio. Tivemos dois filhos a Aline nasceu em
1992 e o Alexandre em 2002. Sempre trabalhando muito e vendo a
cidade aumentar, seus jardins enchendo-se de casas e mais famílias que moravam
na área rural mudando-se para a cidade. Em 2007 prestei concurso do
Estado , em 2010 fui chamado e desde então trabalho na área da educação
como agente administrativo em uma escola em São Tomé, a Sueli desde
de 2006 trabalha na Prefeitura Municipal de Japurá na área da saúde.
Minha família, mãe e irmãs e irmão todos ainda hoje mora aqui
em Japurá, meu pai faleceu em 2017. Japurá hoje: 2019, conta com mais ou menos 9,500 mil habitantes,
várias indústrias: confecções, cerâmicas, indústria de polpa de frutas e
muitas outras pequenas indústrias, proporcionando empregos para os habitantes
tanto homes quanto mulheres, o desemprego, acredito que seja coisa rara em nossa
cidade. Uma cidade bem organizada, toda asfaltada, com uma
população hospitaleira, onde há pessoas que gostam de ajudar quem
está em dificuldades, com emprego para quem quer trabalhar, enfim um bom lugar
para se viver, esta foi a cidade que escolhi para viver e criar meus
filhos e espero netos e bisnetos.



Que bela história Preto. Parabéns.
ResponderExcluirNossa, fiquei emocionada com a sua história. Muito feliz também por ter sido mencionado o nome de meus irmãos. Parabéns, Valmir. Um abraço.
ResponderExcluirBelíssima história recheada de nostalgia, travessuras e aventuras, grandes alegrias com muitas lembranças boas, dedicação, amor à nossa terra.
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