historias de minha cidade

Venha contar sua história. Estamos esperando sua contribuição para contarmos a história de Japurá sob seu ponto de vista.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Essa é minha História: Vlamir João Benassi - Preto Benassi


Chegamos em Japurá em 1968,  Meu pai Dorival Benassi, minha mãe Dirce Maria Betão Benassi e minhas irmãs Silvana e Salete, eu Vlamir com 4 anos, vindos de Alto Paraná.   Uma das primeiras coisas que me lembro foi de termos ficado encalhados  logo que cruzamos a Balsa do rio Ivaí, na subida da estrada perto da Cerâmica do Vasques,  tinha chovido muito e estava muito liso, ao tentar subir deslizamos para o lado da estrada e ali ficamos,  naquele local ainda  a mata não havia sido derrubada para o plantio de café, até que conseguimos ajuda para desatolar e seguirmos viagem até Japurá.   Já na cidade lembro-me das ruas de terra, a praça com uma rodoviária no centro e locais cercados onde ficaram os cavalos, quando as pessoas vinham da área rural para fazerem compras na cidade. A  primeira casa  em que moramos,  pertencia ao Sr. José Brizzi, ficava na Rua Jaracatiá,  não tinha energia elétrica  e a água ainda era retirada de um poço,  em frente tinha a casa do Sr. José e o resto era tudo café.    Meu pai,  Dorival, veio para tomar conta de uma “venda” de secos e molhados, que ficava na avenida, cujo prédio também pertencia ao Sr José Brizzi.  Depois de um tempo mudamos para outra casa mais perto da “venda”,  na esquina  da Rua Jaracatiá com a Rua Palmital, onde hoje mora a Geni  De Rocco, não naquela casa mas em uma nova construída por ela,  neste local minhas lembranças são mais claras, era uma casa de madeira com um grande quintal,  em frente tinha um grande terreno vazio onde algumas vezes vinham circos e rodeios.  Também neste local era onde tínhamos um campinho onde jogávamos bola e soltávamos  papagaio, que fazíamos de revistas ou jornais e colávamos com café de bugre que pegávamos em um pé que tinha neste terreno.  Logo me “enturmei” com os filhos do seu  Higino que era dono do Hotel que ficava ali perto, na avenida,   Zé Luiz e Tó,  foram tempos de muitas brincadeiras, estripulias e aventuras.  O Sr Higino tinha uma Rural e andava por muitas cidades vizinhas, ele ia aos sítios comprar rapaduras e outros produtos e vendia nas feiras das cidades e nós embarcávamos juntos,  minha mão ficava furiosa pois muitas vezes  saíamos sem avisar onde íamos. Uma de minhas lembranças com o seu Higino foi quando fomos a uma reserva de eucalipto perto eu uma cerâmica, para buscarmos  hastes, que seriam usadas para ajudar na construção da nova Igreja matriz de Japurá, pois foi ele que ficou encarregado de construir o telhado da mesma.  Quando ela estava coberta e sendo forrada, ele nos levou para dar uma olhado como tinha ficado a estrutura por dentro do forro, uma coisa que ficou marcada em minha mente. Mudamos novamente, agora para os fundos da “venda”  que agora era do meu pai, ele havia comprado o negócio, lá tínhamos energia elétrica e a água vinha de um poço que tinha uma bomba com corda de sizal e motor que tirava a água e jogava em uma caixa. Ali nasceu meu irmão Valdecir.  Nesta época  as ruas de Japurá ainda eram de terra, algum tempo depois começou ser escavada as rua para a colocação da tubulação de água, era uma festa para a molecada, aquelas valas enormes e as montanhas de terra.  Logo em seguida  começou a asfaltarem a avenida, pensa numa curiosidade vendo aquele caminhão de piche  pintando tudo de preto com o motor fazendo um barulhão,  de  onde saia o piche com uma labareda de fogo para mante-lo  líquido, era uma novidade do outro mundo.  Lembro-me que na época do asfaltamento da avenida teve alguns dias de chuva, pensa o lamaçal que virou aquilo,  para atravessar do outro lado da rua eram improvisadas passarela com  tábuas, pois  a coisa era terrível.  A construção da Caixa D’água foi um grande acontecimento para a cidade, lembro-me de ter subido lá em cima com meu pai, em um elevador usado na construção, que nos finais de semana era utilizado como atração para vermos ao longe da cidade.  Quando da inauguração da praça ao redor da Caixa D’água  teve uma grande festa, todas as famílias saiam aos sábados e domingos para se encontrarem  na praça, e deste dia guardo até hoje  uma  recordação, um tombo no qual quebrei os cantos dos dentes da frente, carreguei aquela janelinha por muito tempo, até que a Drª. Matiko  arrumou.  A entrada na escola primária foi uma nova etapa na vida, a Escola Marechal  Candido Rondon, era assim que se chamava na época, marcou o encontro com muitos amigos,  os quais muitos tenho até hoje, com pátio grande e arborizado, muitos bancos de madeira sobre as árvores, era ali que comiamos a merenda, muitas vezes trazidas de casa, umas poucas vezes uma sopa de macarrão com batata que nos era servido e também brincávamos e fazíamos educação física, lembro-me de minha primeira professora Oreni Palhari, tive muitas, mas poucas me marcaram.  No fundo da escola, no  pátio tinha uma plantação de café, era neste local que fazíamos a festa, todos os dias brincando de “salva” e bola ( de meia)  imagina a cor da roupa, guarda-pó branco  e calção, que chegávamos em casa, mais bronca da mãe. Foram anos inesquecíveis,  foi lá que conheci outra professora, que aprendi  a admirar como professora e  com o passar dos anos como amiga e   que por arte do destino muito mais tarde passou a ser minha colega  na escola em que hoje trabalho, Professora Maria de Rocco.   Nesta época nosso pensamento era: escola, bola, estilingue, quantos sítios ao redor da cidade percorremos, quantos pés de mamão, laranja, mexerica atacamos e quantas melancias “roubamos”,  sim, foi uma época realmente inesquecível.  Enquanto isso a cidade ia crescendo, com suas máquinas de café na época a todo vapor,  em tempo de colheita, filas de caminhões se formavam  para carregar o produto para os grandes centros. A cidade foi tendo mais e mais ruas asfaltadas, as datas centrais vazias foram se enchendo de construções.  O nosso estádio de futebol com suas cercas de madeira foram substituídas por pranchas de concreto, sua arquibancada de madeira  deu lugar a uma de cimento, muito bonita, mas que acabou desabando uma parte, a cerca de balaustra que fazia as vezes de alambrado deu lugar a um de tela e o vestiário, deu lugar a um de alvenaria e com direito a um túnel que levava ao gramado, um luxo.  A construção da torre  da Telepar foi por algum tempo um ponto muito visitado, pois todos queriam saber como iria ficar aquilo,  na época eram poucos telefones na cidade- valiam quase o preço de um carro- e agora com a central  poderia se ter mais linhas e mais telefones. A entrada para o ginásio foi outra etapa de minha vida, o ginásio tinha sido inaugurado a poucos anos, quase novo, ainda não tinha quadra de esporte e era todo de terra na sua frente.   Ali também conheci muitos professores que  com o passar do tempo se tornaram meus amigos, alguns deles:  Professores, Fabiano,  Madalena Garanhão, Guilherme, Mario,  Dota, Luzia Molinare, Mercedes e muitos outros.  Neste período entrei para o time infantil de Japurá, onde conheci muitos amigos, João Gazolina, Nelsinho, Veia, Zé Branco, Gilmar, Polaco, Aroldo, Jora, Cabelinho, Nilson, Paulinho, Vagner e tantos outros,  nosso treinador “Rosa” sempre nos incentivando e as vezes nos dando broncas( muitas vezes justas), nossas viagens com o time para as cidades vizinhas eram muito divertidas,  muitas viagem de “Swat”, eita frio que já passamos naquele caminhãozinho,  mas era a nossa alegria, muitas vezes acompanhando o time principal da cidade e fazendo os jogos preliminares . A cidade nesta época já começava a ganhar suas vilas,  chegou a tão esperada rodovia  asfaltada,  porque  para ir para  São Tomé ou Cianorte  era terrível,  no tempo de chuva  eram muito difícil e na seca estrada cheia de buracos e um areião.  Também nesta época  foi inaugurado o Japurá Country Club,  nossa quanto banho de piscina. Veio a grande geada de 1975, queimando todos os cafezais da região, me lembro de uma passagem, que no dia seguinte a geada fomos a Venda do Moisés que ficava na área rural e era tocado pelo meu tio Alécio, local que sempre ia para cassar passarinhos e naquele dia vi todos os pés de cafés com suas folhas “queimadas”, uma visão desoladora, que iria mudar os rumos da agricultura da nossa cidade.  Quando entrei para o Colégio Rui Barbosa a coisa foi ficando mais séria, com 15 anos já ajudava no comércio e estudava de noite, acabou-se minha fase no juvenil de Japurá. No Colégio conheci  muitos colegas- Vagetti, Almir, Derla, Topã, Ditão, professores inesquecíveis: Stafuzza, Pacifico, Fávaro, Ademir, Teruak, Paltanim  e muitos outros que até hoje mantenho contato. A cidade neste período já tinha mudado muito, já havia vários jardins ao redor e a agricultura estava mudando radicalmente do café para a terra mecanizada ( soja, milho), as primeiras colhedeiras Ideal já apareciam na cidade para fazer a colheita da soja. Já adolescente foi época de começar a frequentar bailes e festas, nossa quantos bailões de casamento nos sítios, baile no Salão Paroquial, e algumas saídas para as cidades vizinhas. No Colégio o último ano foi muito movimentado, pois para irmos para a praia na formatura tivemos que fazer muitas promoções e bailes,  a coisa era feia, quantas carteiras e cadeiras carregamos em caminhões para levar no Ginásio de Esportes para os bailes e no domingo carregávamos tudo de volta para a escola.  Mas valeu a pena, final de ano, Balneário Camboriú, duas semanas de festa.  Terminado o Colégio foi a fase da vida em que fazíamos muitas festas, muitas noitadas na Boemia com o som do violão do Edinho e das canções do Prof. Pacífico, muitas vezes no reservado do Ponto Chic, uma fase muito agitada com muitos bailes no Ginásio de Esportes, participação de campeonatos de futebol de salão, enfim, uma época inesquecível. Depois de alguns anos  namorando, em 1990 me casei com a Sueli, filha do seu Maurício e dona Jacira, que trabalhavam no ginásio.  Depois de casado voltei  morar  no fundo do prédio onde tínhamos o comércio. Tivemos dois filhos a Aline nasceu em 1992 e o Alexandre em 2002.   Sempre trabalhando muito e vendo a cidade aumentar, seus jardins enchendo-se de casas e mais famílias que moravam na área rural mudando-se para a cidade. Em 2007 prestei concurso  do Estado , em 2010 fui chamado e desde então trabalho na área da educação como  agente administrativo em uma escola em São Tomé,  a Sueli desde de 2006 trabalha na Prefeitura Municipal de Japurá na área da saúde.   Minha família, mãe e irmãs e irmão  todos ainda hoje mora aqui em Japurá, meu pai faleceu em 2017. Japurá hoje: 2019,  conta com mais ou menos 9,500 mil habitantes, várias indústrias: confecções,  cerâmicas, indústria de polpa de frutas e muitas outras pequenas indústrias, proporcionando empregos para os habitantes tanto homes quanto mulheres,  o desemprego,  acredito que seja coisa rara em nossa cidade.   Uma cidade bem organizada, toda asfaltada, com uma população hospitaleira,  onde há pessoas que gostam de ajudar  quem está em dificuldades, com emprego para quem quer trabalhar, enfim um bom lugar para se viver,  esta foi a cidade que escolhi para viver e criar meus filhos e espero netos e bisnetos.



3 comentários:

  1. Nossa, fiquei emocionada com a sua história. Muito feliz também por ter sido mencionado o nome de meus irmãos. Parabéns, Valmir. Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Belíssima história recheada de nostalgia, travessuras e aventuras, grandes alegrias com muitas lembranças boas, dedicação, amor à nossa terra.

    ResponderExcluir